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Brasil, UE, Canadá e Quênia lançam manifesto pelo multilateralismo às vésperas de Assembleia Geral da ONU

Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia lançaram neste domingo (20) o manifesto 'Parceiros pelo Multilateralismo' (P4M) no jornal Financial Times. A iniciativa busca promover reformas na ONU e o diálogo internacional diante de um cenário global marcado por polarização e recorde de conflitos.

Por Redação WebWorks Notícias · · atualizado em 3 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Circular seating of the Dutch Parliament in Den Haag, Nederland.
Foto: Jan van der Wolf / Pexels

Às vésperas da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), lideranças de quatro diferentes regiões do planeta uniram forças para anunciar uma iniciativa diplomática voltada à revitalização da cooperação internacional e à reforma das instituições globais. O movimento, formalizado por meio de um manifesto conjunto divulgado neste domingo (20) no jornal britânico Financial Times, surge em um momento de profundas divisões geopolíticas e busca contrapor a lógica da fragmentação por meio da criação de uma estrutura aberta e flexível de diálogo.

Resumo rápido

  • O manifesto foi lançado conjuntamente por Brasil, União Europeia, Canadá e Quênia neste domingo (20).
  • A iniciativa foi batizada de 'Parceiros pelo Multilateralismo' (P4M, na sigla em inglês).
  • O documento aponta um paradoxo global entre alta interdependência digital e comercial e crescente polarização geopolítica.
  • Os signatários destacam o recorde de 65 conflitos armados entre Estados e US$ 2,9 trilhões em gastos militares em 2025.
  • O objetivo principal é apoiar reformas na ONU e em outras instituições globais para torná-las mais representativas.
Empty European Parliament auditorium in Brussels, Belgium.
Imagem ilustrativa: Jonas Horsch / Pexels

O que aconteceu com o lançamento do manifesto P4M

A iniciativa diplomática internacional foi anunciada oficialmente por meio de uma publicação na imprensa britânica, repercutindo amplamente entre veículos de notícias globais e nacionais. Segundo as informações divulgadas, o documento é assinado pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, pelo primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e pelo presidente do Quênia, William Ruto. O bloco recém-formado foi denominado 'Parceiros pelo Multilateralismo', adotando a sigla P4M.

De acordo com o texto da aliança, a proposta não tem a intenção de instituir um bloco fechado ou de erigir uma nova burocracia internacional. A premissa central é estabelecer um espaço flexível onde nações de variadas origens regionais e tradições políticas consigam superar divergências pontuais. O propósito prático é articular coalizões capazes de impulsionar reformas efetivas em organismos multilaterais, com destaque para a própria Organização das Nações Unidas, transformando diretrizes compartilhadas em ações conjuntas.

Como chegamos até aqui: o cenário global recente

O manifesto descreve o atual momento geopolítico como um paradoxo acentuado, no qual a comunidade internacional atinge níveis inéditos de interdependência econômica e digital, mas caminha na contramão no campo diplomático. Os signatários apontam que o comércio global registrou a marca histórica de US$ 35 trilhões no ano passado, enquanto cerca de seis bilhões de pessoas — o equivalente a quase três quartos da população mundial — encontram-se conectadas à internet. Em paralelo, o ambiente institucional internacional passou a sofrer pressões crescentes.

A cronologia recente e os dados apresentados no documento demonstram o agravamento da instabilidade internacional ao longo do último período. Conforme os registros citados pelas lideranças, o ano de 2025 concentrou índices alarmantes que motivaram a urgência da mobilização diplomática atual.

  • 1945: Fundação das Nações Unidas em um cenário de cooperação pós-guerra que moldou as regras do direito internacional.
  • Ano passado (2025): O comércio global atinge o patamar recorde de US$ 35 trilhões e a internet alcança 6 bilhões de usuários.
  • Ano de 2025: Registro de 65 conflitos armados entre Estados espalhados por 35 países, representando o maior número documentado desde 1946.
  • Ano de 2025: Os gastos militares globais batem recorde histórico e chegam a US$ 2,9 trilhões.
  • Domingo (20): Publicação oficial do manifesto P4M no Financial Times, às vésperas da Assembleia Geral da ONU.
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Imagem ilustrativa: Charlotte May / Pexels

Quem são os envolvidos na articulação internacional

A aliança recém-criada reúne quatro chefes de governo e de Estado de diferentes continentes, refletindo uma articulação transregional. Pelo lado sul-americano, o documento conta com a assinatura do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. A política externa brasileira tem tradicionalmente na defesa do multilateralismo e do fortalecimento das instâncias internacionais um de seus pilares fundamentais, o que se alinha diretamente com o teor do manifesto publicado antes da viagem do mandatário a Nova York.

Representando a Europa, o documento é assinado por António Costa, na qualidade de presidente do Conselho Europeu. Pelo continente americano do norte, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, subscreve os termos da aliança. Completando o quarteto de líderes signatários, o continente africano está representado pelo presidente do Quênia, William Ruto. A diversidade geográfica dos líderes busca conferir legitimidade global à proposta de coalizão.

O que dizem as fontes e os líderes sobre a crise na ONU

As justificativas apresentadas no manifesto destacam que a ordem internacional enfrenta severas dificuldades estruturais, coincidindo com o que é descrito como a maior crise na história da ONU. A organização internacional lida atualmente com fortes restrições financeiras, limitações operacionais para mediar confrontos e impasses no Conselho de Segurança sobre a sucessão para o cargo de secretário-geral, visto que o mandato de António Guterres se aproxima do fim em três meses. No texto, os líderes recordam uma declaração recente de Guterres na qual ele afirmou que 'as superpovertades estão descobrindo seus limites'.

Diante desse cenário de impasses, o manifesto enfatiza que a cooperação multilateral não constitui um ato de mero idealismo, mas sim uma necessidade prática incontornável. Os líderes argumentam que a soberania nacional é fortalecida quando os países unem competências para resolver problemas comuns. O documento adverte que a verdadeira escolha da atualidade reside entre renovar a cooperação multilateral ou permitir que a polarização e a política de poder definam o futuro.

A bustling shipping port with stacked cargo containers and cranes under overcast skies.
Imagem ilustrativa: Rafael Rodrigues / Pexels

Entenda os desafios globais e o contexto da Assembleia Geral

O manifesto aponta uma série de desafios transnacionais complexos que tornam a ação isolada dos Estados ineficaz. Entre os pontos destacados estão a emergência climática com impactos superiores às previsões, o avanço desregulado da inteligência artificial, o risco de disseminação rápida de pandemias, choques financeiros capazes de abalar mercados em poucas horas e conflitos armados que geram deslocamentos populacionais em massa. Além disso, o texto menciona gargalos logísticos críticos no comércio marítimo mundial, a exemplo do Estreito de Ormuz, cujas interrupções podem paralisar cadeias de suprimento globais.

O lançamento da iniciativa antecede formalmente o início do debate geral da Assembleia Geral da ONU, agendado para começar nesta terça-feira em Nova York. A programação prevê o discurso de abertura tradicional do presidente brasileiro Lula, seguido pelo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Analistas apontam que a fala do líder americano gera expectativas tensas em meio a relatos jornalísticos sobre possíveis pressões contra o Tribunal Penal Internacional, evidenciando o contraste entre a proposta coletiva da P4M e a política de zonas de influência.

Impactos e por que o manifesto importa para a geopolítica

A criação do grupo 'Parceiros pelo Multilateralismo' importa porque tenta reagir ao retorno explícito da linguagem de esferas de influência e coerção econômica nas relações internacionais. Conforme o documento, as relações econômicas têm sido instrumentalizadas como ferramentas de pressão política, enquanto as desigualdades internas e entre nações continuam em ascensão. A iniciativa busca resgatar princípios básicos consagrados na Carta da ONU, tais como a igualdade soberana, a integridade territorial e a solução pacífica de controvérsias.

O impacto prático almejado pelos signatários é criar pontes de diálogo entre países que eventualmente divergem em múltiplos temas, mas que concordam quanto à preservação do direito internacional humanitário e das liberdades fundamentais. O encerramento do manifesto apela explicitamente para que outros governos globais optem pelo direito em vez do poder e pela responsabilidade compartilhada em detrimento da divisão.

A female politician delivers a speech with bodyguards and an American flag in the background.
Imagem ilustrativa: Werner Pfennig / Pexels

Assuntos: ONUMultilateralismoPolítica InternacionalBrasilUnião Europeia

Perguntas rápidas

O que é a iniciativa P4M lançada por Brasil, UE, Canadá e Quênia?

Trata-se da aliança 'Parceiros pelo Multilateralismo', uma estrutura flexível e aberta anunciada em manifesto conjunto para apoiar reformas na ONU e promover a cooperação internacional.

Quando e onde o manifesto foi publicado?

O documento foi publicado neste domingo (20) no jornal britânico Financial Times, às vésperas da abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York.

Quais são os principais problemas globais citados no documento?

Os líderes apontam um recorde de 65 conflitos armados entre Estados em 2025, gastos militares de US$ 2,9 trilhões, além de desafios como mudanças climáticas, inteligência artificial e pandemias.

Fontes consultadas

Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.

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