Por que a cafeína deixa algumas pessoas em alerta e outras não sentem nada?
A resposta individual à cafeína é determinada por fatores genéticos, hábitos e condições hormonais. Enquanto alguns metabolizam a substância rapidamente, outros sentem efeitos prolongados que impactam o sono e a ansiedade.

A cafeína é a substância psicoativa mais consumida no planeta, presente em bilhões de xícaras de café diárias, além de energéticos, refrigerantes, chocolates e suplementos. No entanto, a reação a ela é profundamente individual: enquanto algumas pessoas conseguem dormir logo após o consumo, outras permanecem em estado de alerta por horas. Essa disparidade ocorre devido à forma como cada organismo processa a substância, envolvendo desde a genética até hábitos de vida, o que torna a moderação a principal recomendação para a maioria dos adultos.
Resumo rápido
- A cafeína mascara o cansaço ao bloquear a adenosina no cérebro, mas não gera energia extra.
- O gene CYP1A2 determina a velocidade com que o fígado metaboliza a substância.
- Fatores como tabagismo, gravidez e uso de medicamentos alteram a sensibilidade à cafeína.
- O tempo de eliminação da substância do corpo varia entre 6 e 20 horas por pessoa.
- O consumo moderado de café está associado a menores riscos de doenças graves e maior longevidade.

O que acontece no corpo: Por que a cafeína deixa algumas pessoas em alerta e outras não sentem nada?
A substância atua no cérebro bloqueando a adenosina, um composto químico que se acumula ao longo do dia e sinaliza ao corpo a necessidade de dormir. Ao impedir essa ação, a cafeína afasta a sensação de fadiga, melhora a concentração e aumenta o estado de alerta. Contudo, especialistas ressaltam que ela não fornece energia adicional ao organismo, funcionando apenas como um mascarador do cansaço.
Após a ingestão, a cafeína entra na corrente sanguínea e atinge rapidamente o cérebro. A partir daí, ela começa a ser decomposta por uma enzima no fígado para ser posteriormente eliminada através da urina. Esse processo de limpeza não é uniforme, podendo levar de seis a 20 horas para ser concluído, dependendo de cada indivíduo.
Para quem possui metabolismo lento, o acúmulo da substância pode gerar efeitos adversos. Segundo a professora Marilyn Cornelis, da Universidade Northwestern, uma pessoa pode não sentir a primeira xícara, mas a ingestão de uma segunda dose poucas horas depois pode desequilibrar o organismo e provocar ansiedade.
Fatores genéticos e a influência da ancestralidade
A rapidez com que o fígado processa a cafeína é controlada por um gene específico, o CYP1A2. A variação desse gene explica por que algumas pessoas são naturalmente mais resistentes aos efeitos estimulantes do que outras. A ancestralidade também desempenha um papel nesse mecanismo biológico.
De acordo com um estudo publicado este ano, indivíduos de origem sul-americana e europeia tendem a metabolizar a cafeína de maneira mais acelerada. Isso significa que a substância permanece menos tempo em seus sistemas, permitindo que recuperem o sono ou a calma mais rapidamente do que pessoas de outras origens genéticas.

Hábitos e condições que alteram a sensibilidade
Além do DNA, fatores externos influenciam a metabolização. O hábito de fumar cigarros convencionais estimula o fígado, podendo acelerar a decomposição da cafeína em até 65%. Esse fenômeno explica por que fumantes costumam consumir mais café e por que quem interrompe o tabagismo sente a bebida habitual muito mais forte.
Por outro lado, certas condições reduzem a eficiência do fígado. Durante a gravidez, alterações hormonais suprimem a enzima responsável pela metabolização. Da mesma forma, o uso de pílulas anticoncepcionais, alguns tipos de antibióticos e outros medicamentos prescritos podem reter a cafeína no corpo por mais tempo.
- Fumantes: metabolizam a cafeína até 65% mais rápido.
- Grávidas: possuem a enzima hepática suprimida por hormônios.
- Usuários de certos medicamentos: podem ter a retenção da substância prolongada.
- Consumidores regulares: desenvolvem menor sensibilidade devido à adaptação do corpo.
Posicionamentos de especialistas e recomendações
A psicóloga e especialista em sono Lindsay Browning sugere que a cafeína não apenas dificulta o início do sono, mas prejudica a sua qualidade. Ela recomenda evitar a substância cerca de seis horas antes de dormir — sugerindo, por exemplo, interromper o consumo às 14h para quem planeja dormir às 22h —, embora ressalte que regras rígidas ignoram a individualidade biológica.
Quanto à segurança, o professor emérito de nutrição da Universidade de Bristol, Peter Rogers, afirma que a cafeína é relativamente segura. Segundo ele, overdoses são raras e envenenamentos graves geralmente ocorrem apenas com a ingestão de vários gramas de produtos altamente concentrados em poucos minutos.
Para gestantes, o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) recomenda a ingestão máxima de 200 mg por dia, o que equivale a duas xícaras de café coado. A medida visa prevenir complicações como o baixo peso ao nascer, associado ao consumo excessivo da substância.

Entenda os conceitos biológicos
A adenosina é a substância química responsável por criar a 'pressão do sono' no cérebro. Quanto mais tempo ficamos acordados, mais ela se acumula, induzindo o relaxamento. A cafeína, por ter uma estrutura similar, 'engana' os receptores de adenosina, impedindo que eles recebam o sinal de cansaço.
O metabolismo hepático é o processo pelo qual o fígado transforma substâncias químicas em compostos mais simples para que possam ser excretados. No caso da cafeína, a enzima CYP1A2 é a ferramenta principal para essa quebra química; quanto mais eficiente for essa enzima, mais rápido a pessoa deixa de sentir os efeitos do café.
Impactos na saúde e longevidade
Apesar dos riscos de ansiedade e insônia em doses elevadas, o consumo moderado de café está ligado a benefícios. Décadas de pesquisas indicam que pessoas que mantêm esse hábito regular tendem a apresentar menor risco de desenvolver diversas doenças graves.
Embora a ciência não possa isolar o café como a única causa, os dados sugerem que esses consumidores podem ter uma expectativa de vida ligeiramente maior do que aqueles que não consomem a bebida. A chave para esses resultados positivos, segundo as fontes, reside na moderação.

Perguntas rápidas
Por que algumas pessoas dormem logo após tomar café?
Isso ocorre devido a fatores genéticos, especialmente o gene CYP1A2, que faz com que algumas pessoas metabolizem a cafeína muito mais rapidamente que outras.
A cafeína realmente dá energia ao corpo?
Não. Segundo especialistas, a cafeína apenas mascara o cansaço ao bloquear a ação da adenosina no cérebro, não fornecendo energia extra.
Qual a recomendação de consumo para grávidas?
O NHS recomenda que mulheres grávidas mantenham a ingestão abaixo de 200 mg por dia, o equivalente a cerca de duas xícaras de café coado.
Fontes consultadas
Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.
Compartilhar: WhatsApp X Facebook
Leia também
Descoberta da estrutura do DNA: o marco de 1953
Em 1953, Watson e Crick propuseram o modelo de dupla hélice do DNA no Laboratório Cavendish. A descoberta, baseada em dados de Rosalind Franklin, revolucionou a compreensão da hereditariedade.
Erupção solar gera alerta de tempestade geomagnética G1
A NOAA alertou para uma tempestade geomagnética de nível G1 que deve atingir a Terra em 2 de outubro. O evento foi causado por uma erupção solar e não deve provocar interrupções na rotina diária da população.
Fases da Lua em outubro de 2026: veja datas e horários
Outubro de 2026 traz o ciclo lunar completo com datas do Inmet e concentra pagamentos do Bolsa Família reajustado, INSS, BPC/Loas e o quinto dia útil para salários CLT.


