Análise: Por que onda da IA torna mais difícil controlar a inflação
Gastos massivos em infraestrutura de IA nos EUA podem superaquecer a economia, elevando custos de materiais e mão de obra, o que dificulta o controle da inflação pelo Federal Reserve.

A economia dos Estados Unidos enfrenta um cenário de forte atividade que gera preocupações sobre o custo de vida e a estabilidade dos preços. Esse quadro é impulsionado por três fatores: choques energéticos decorrentes de guerras no Irã e na Ucrânia, tensões em guerras comerciais e um volume expressivo de gastos corporativos em inteligência artificial. A escala desses investimentos em infraestrutura tecnológica é vista como um risco de superaquecimento para uma economia que já apresenta desemprego baixo e consumo forte,
Resumo rápido
- Gastos com infraestrutura de IA devem atingir US$ 1 trilhão em 2024, superando o gasto anual do governo federal com as forças armadas, segundo o JPMorgan.
- Projeções de Stijn Van Nieuwerburgh indicam que esses gastos anuais podem chegar a US$ 10,3 trilhões até 2032.
- A demanda por chips, eletricidade e mão de obra para centros de dados gera pressões inflacionárias que se expandem para outros setores.
- O Federal Reserve (Fed) pode elevar a taxa de juros se a demanda por IA causar um superaquecimento econômico, segundo Austan Goolsbee.
- A valorização de ações de IA beneficia a população de alta renda, responsável por 70% dos gastos de consumo, conforme o Fed de Nova York.

O que aconteceu: a escala dos investimentos em IA
O volume de capital destinado à infraestrutura de inteligência artificial, que engloba centros de dados, chips e servidores, cresceu de forma repentina. De acordo com o JPMorgan, esses gastos devem alcançar US$ 1 trilhão este ano, valor que supera o gasto anual do governo federal com as forças armadas. O Goldman Sachs estima que, em 2024, esses investimentos representem 1,9% de toda a atividade econômica dos Estados Unidos.
Para o futuro, as projeções são ainda mais elevadas. O economista Stijn Van Nieuwerburgh, da Universidade de Columbia, prevê em artigo para a Brookings Institution que esse número anual chegará a US$ 10,3 trilhões até 2032. Segundo Van Nieuwerburgh, a média anual desses gastos com infraestrutura de IA ultrapassará 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos até 2032, equivalendo à produção de setores como hotéis, restaurantes e transporte.
A magnitude desse ciclo é comparada à lei de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão assinada por Joe Biden em 2021. Segundo Van Nieuwerburgh, os gastos projetados com IA equivaleriam a gastar todo o valor desse projeto de lei anualmente ao longo de uma década. Essa expansão é descrita como maior do que booms de investimento passados do país, como a construção de ferrovias, redes elétricas, rodovias e telecomunicações.
Como chegamos até aqui e a cronologia do boom
A ascensão dos gastos com IA ocorreu de forma explosiva, levando o economista-chefe da RSM US, Joe Brusuelas, a afirmar que a economia dos EUA passará por uma transformação estrutural para ser organizada em torno da inteligência artificial. Esse movimento soma-se a pressões externas, como a alta nos preços de gasolina e diesel devido a conflitos globais e a formação de uma guerra comercial entre Estados Unidos e Canadá.
- 2021: Assinatura da lei de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão por Joe Biden.
- 2024: Gastos com infraestrutura de IA projetados em US$ 1 trilhão, segundo o JPMorgan.
- Até 2032: Previsão de que os gastos anuais cheguem a US$ 10,3 trilhões, segundo Stijn Van Nieuwerburgh.

O mecanismo do choque de demanda e a inflação
Embora a IA prometa ganhos de produtividade, a fase atual de construção de alicerces gera pressões imediatas nos preços. Daniel Yue, professor da Georgia Tech, afirma que um choque de demanda está gerando inflação. A construção de centros de dados dispara a procura por chips de memória, armazenamento, eletricidade, materiais de construção e mão de obra, como eletricistas e encanadores.
Esse efeito se espalha para outros setores da economia, manifestando-se na escassez de mão de obra e no aumento de custos de materiais de construção. Segundo a análise, a oferta de bens e trabalhadores não consegue equilibrar a demanda extrema devido a regulamentações, medidas de repressão à imigração e problemas com licenciamento.
Quem são os envolvidos e o que dizem as partes
O Federal Reserve (Fed) monitora se a atividade econômica gerada pelos centros de dados de IA é maior do que a economia consegue absorver. Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, afirmou em 21 de setembro que, se a demanda entrar em superaquecimento, o banco central precisará elevar a taxa de juros de referência para reduzir a inflação.
Sobre a sensibilidade desses investimentos aos juros, Oren Klachkin, economista da Nationwide, argumenta que o investimento em IA não é sensível às taxas de juros e é improvável que desacelere em breve. Para Klachkin, embora o custo de financiamento possa levar a cancelamentos de alguns projetos, a tendência de investimento em IA assemelha-se a um trem de carga em alta velocidade.

Entenda os conceitos econômicos
O Fed (Federal Reserve) é o banco central dos Estados Unidos, responsável por controlar a política monetária. Para combater a inflação, o Fed geralmente aumenta a taxa de juros, o que encarece empréstimos e desestimula o consumo para tentar estabilizar os preços.
O termo 'pleno emprego' ocorre quando a taxa de desemprego está em um nível muito baixo, indicando que a maior parte da população economicamente ativa está empregada. Nos EUA, esse nível é atualmente de 4,1%, o que pode contribuir para a manutenção de preços elevados devido à escassez de mão de obra.
Impactos sociais e a desigualdade do boom
A economia americana apresenta indicadores fortes, com vendas no varejo subindo 1,2% em agosto e a atividade industrial atingindo o nível mais alto desde julho de 2021, segundo o Índice de Gerentes de Compras da S&P Global. Esse crescimento é impulsionado, em parte, por um mercado de ações onde as oito empresas mais valiosas do S&P 500 são focadas em IA, representando 38,8% do valor total do mercado.
Essa dinâmica gera disparidades financeiras. Segundo o Fed de Nova York, os 40% da população com maior renda são responsáveis por 70% dos gastos de consumo, beneficiados pelos ganhos em suas carteiras de investimento. Heather Long, economista da Navy Federal Credit Union, afirma que a maioria das pessoas comuns arca com o aumento de custos e empréstimos sem obter ganhos financeiros diretos.

Perguntas rápidas
Por que a IA pode aumentar a inflação?
Segundo Daniel Yue, a construção de centros de dados gera um choque de demanda por chips, eletricidade, materiais de construção e mão de obra especializada, elevando os preços nesses e em outros setores.
Qual a reação esperada do Federal Reserve?
Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, indicou que, se a demanda por IA causar um superaquecimento da economia, o banco central poderá elevar a taxa de juros de referência.
Como o boom da IA afeta diferentes classes sociais?
Segundo o Fed de Nova York e a economista Heather Long, a população de alta renda se beneficia da valorização de ações de IA, enquanto a maioria das pessoas comuns arca com o aumento dos custos de vida e empréstimos.
Fontes consultadas
Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.
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