Dino determina que União faça avaliação técnica de regras de atuação da CVM
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou que o governo federal realize uma avaliação técnica das regras da CVM no prazo de 90 dias, citando falhas de controle e o caso do Banco Master.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (20) que o governo federal promova a avaliação técnica e a reapreciação das regras normativas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais no país. A determinação estabelece um prazo de 90 dias para o cumprimento da medida, que deverá ser coordenada pelo Ministério da Fazenda para a apresentação de possíveis providências e ajustes no marco regulatório.
Resumo rápido
- Ministro Flávio Dino determinou que a União avalie tecnicamente as normas da CVM em até 90 dias.
- Decisão aponta fragilidades nos controles internos e cita o arquivamento de denúncias sem diligências mínimas.
- Magistrado mencionou um caso de 2022 com detalhes sobre irregularidades no Banco Master.
- Normas de 2021 e 2022 teriam gerado permissividade sistêmica em fundos de investimento, segundo o STF.

O que aconteceu na decisão sobre a CVM
A nova ordem judicial foi proferida no âmbito de uma ação em andamento no STF. Na decisão, Dino apontou que as dificuldades enfrentadas pelo órgão regulador não se restringem apenas a limitações de orçamento, destacando falhas informadas pela Transparência Internacional sobre os controles internos e a independência funcional da instituição. O magistrado relatou indícios de que denúncias teriam sido arquivadas sem a realização de diligências básicas, citando o encaminhamento de um caso em 2022 que trazia previsões detalhadas sobre irregularidades encontradas posteriormente no Banco Master.
Além disso, a decisão menciona o descumprimento de regras da Controladoria-Geral da União (CGU) voltadas à proteção de identidades de denunciantes. O ministro destacou uma resolução de 2022 que permitiu a estruturação de investimentos em múltiplas camadas — quando um fundo aplica em cotas de outro fundo — sem limitação de teto. Para o magistrado, a regra gerou uma permissividade sistêmica que pode favorecer crimes como lavagem de dinheiro e dificultar a rastreabilidade das operações financeiras.
Contexto da fiscalização e ação no STF
O debate sobre o funcionamento da autarquia chegou ao Supremo Tribunal Federal em março de 2025, quando o partido Novo ajuizou uma ação para contestar o pagamento da taxa de fiscalização cobrada pelo órgão. Na ocasião, a legenda apontou que foram arrecadados R$ 2,4 bilhões entre 2022 e 2024, sendo R$ 2,1 bilhões oriundos exclusivamente de taxas. No mesmo período, o orçamento do órgão regulador foi de R$ 670 milhões, e cerca de 70% da arrecadação total foi direcionada ao caixa do governo federal, restando 30% para a atividade-fim.
Em julho, o STF homologou um plano emergencial para reestruturar o trabalho de fiscalização da CVM, após a própria União reconhecer a pertinência de debater melhorias regulatórias. Contudo, o tribunal apontou que o plano inicial enviado pelo governo deixou de contemplar a revisão dos instrumentos normativos, motivando a nova ordem expedida neste domingo.

Entenda os termos e órgãos citados
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, criada para regular, normatizar, disciplinar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários no Brasil. Já o Supremo Tribunal Federal (STF) é a instância máxima do Poder Judiciário brasileiro, responsável por zelar pela guarda da Constituição Federal e julgar ações de controle de constitucionalidade.
O que vem a seguir
Com a decisão do Supremo, o Ministério da Fazenda tem o prazo de 90 dias para coordenar a avaliação técnica das regras normativas da autarquia e apresentar as medidas cabíveis. O magistrado também pontuou a importância de uma atuação conjunta entre instituições de fiscalização, o Banco Central e a Polícia Federal para evitar assimetrias regulatórias e combater desvios no sistema financeiro.

Perguntas frequentes (FAQ)
Abaixo estão as principais dúvidas sobre a decisão envolvendo o órgão regulador do mercado de capitais.

Perguntas rápidas
O que o ministro Flávio Dino determinou?
Dino determinou que a União realize uma avaliação técnica e reapreciação das regras normativas da CVM no prazo de 90 dias, coordenando medidas corretivas.
Por que a CVM passou a ser investigada ou questionada no STF?
O caso chegou ao STF em março de 2025 por meio de uma ação do partido Novo que contestou taxas de fiscalização, levando a questionamentos sobre estrutura e falhas de controle.
Qual a relação do Banco Master com o caso?
O ministro citou que denúncias anteriores enviadas à autarquia em 2022 continham detalhes sobre irregularidades que foram descobertas posteriormente no Banco Master.
Fontes consultadas
Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.
Compartilhar: WhatsApp X Facebook
Leia também
Dólar hoje: moeda fecha a R$ 5,21 antes do 1º turno; veja o cenário
O dólar fechou a última sessão antes do primeiro turno das eleições na faixa de R$ 5,21, com leve queda, enquanto o Ibovespa subiu 2,63%. Com o segundo turno confirmado entre Lula e Flávio Bolsonaro, bancos projetam real mais forte.
Payroll nos EUA alerta para menos alta de juros
O relatório de emprego americano criou apenas 29 mil postos em setembro, bem abaixo das 85 mil esperadas. Revisões negativas e salários fracos reduzem apostas em novas altas de juros pelo Fed.
Transações com PIX caem 10% após proibição das bets; veja os dados
O número de transações via Pix caiu 10% entre 26 e 28 de setembro, logo após a MP que proibiu as bets. O Banco Central divulgou os números, mas não confirmou relação direta de causa.


