Trump rejeita proposta iraniana para reabrir Estreito de Ormuz e encerrar combates
Donald Trump recusou publicamente uma oferta do Irã para cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias. O presidente americano afirmou que os EUA estão vencendo e cogita novos bombardeios após as eleições de novembro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (26) que rejeitou uma proposta apresentada pelo Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e estabelecer um cessar-fogo no Oriente Médio. A iniciativa iraniana foi divulgada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e teria sido transmitida aos americanos por intermédio de mediadores do Catar. Segundo o plano, a via navegável estratégica poderia ser reaberta e as hostilidades encerradas em um prazo de sete dias caso o acordo fosse aceito. Em comentários a repórteres na Casa Branca, Trump afirmou que o Irã busca o entendimento porque está perdendo financeiramente devido à falta de acesso aos recursos do estreito.
Resumo rápido
- Trump rejeitou a proposta iraniana de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias.
- A oferta foi feita na Assembleia Geral da ONU e mediada pelo Catar.
- O presidente americano disse que os EUA estão vencendo e controlam a via navegável.
- Relatos indicam que Trump planeja possíveis bombardeios após as eleições de novembro.
- O Irã condiciona a paz ao cumprimento de um memorando de entendimento assinado em junho.
- Conflitos regionais envolvem também ataques de grupos aliados no Mar Vermelho.

Detalhes da proposta e da recusa
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, detalhou que a proposta permitiria a reabertura do Estreito de Ormuz em uma semana, desde que as condições necessárias fossem cumpridas. Essas condições estariam previstas em um memorando de entendimento assinado anteriormente entre as partes. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou que o processo de cessar-fogo começaria no mesmo dia da aceitação e afirmou que o país permitiria a entrada de inspetores nucleares da ONU. Ele negou que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares e disse que acordos sobre inspeções podem ser feitos dentro das negociações.
Em resposta direta, Trump disse aos jornalistas: "Eu rejeito a proposta deles… Rejeitei o acordo deles". O líder americano justificou a decisão afirmando que o Irã quer abrir o estreito imediatamente porque não tem entrada de dinheiro, já que obtém seus recursos a partir daquela passagem marítima. Ele acrescentou que os Estados Unidos estão "vencendo de forma tremenda" e mantêm o controle da via navegável. Um funcionário americano disse à BBC que os EUA estão em uma posição muito forte e, por isso, não têm pressa para fechar um acordo.
Cronologia do conflito recente
A escalada de tensões que levou ao cenário atual teve início em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã. Em resposta, o Irã atacou Israel, bases americanas no Golfo Pérsico e aliados árabes dos EUA na região, além de promover o bloqueio do Estreito de Ormuz. Em 18 de junho, foi assinado um memorando de entendimento de 14 pontos que visava estabelecer um cessar-fogo, reabrir parcialmente o estreito e suspender o bloqueio naval americano. O documento também incluía o compromisso do Irã de nunca ter uma arma nuclear e de garantir a passagem segura de embarcações comerciais.
No entanto, o acordo desmoronou pouco tempo depois, com ambos os lados retomando as operações militares. O Irã passou a atacar embarcações que, segundo o país, tentavam cruzar o estreito sem autorização. Os Estados Unidos, por sua vez, atacaram instalações iranianas no estreito e petroleiros ao largo da costa, mantendo o bloqueio aos portos iranianos. Mais recentemente, a situação se agravou com a intensificação dos ataques dos houthis do Iêmen, aliados do Irã, contra exportações de petróleo da Arábia Saudita através do Mar Vermelho.
- 28 de fevereiro: EUA e Israel atacam o Irã; Teerã retalia e bloqueia o Estreito de Ormuz.
- 18 de junho: Assinatura de memorando de entendimento para cessar-fogo e reabertura parcial.
- Meses seguintes: Colapso do acordo e retomada de ataques mútuos e bloqueio naval.
- Setembro: Houthis intensificam ataques no Mar Vermelho e tomam trechos da costa.
- Semana da assembleia: Irã apresenta nova proposta de paz via mediadores do Catar.
- 26 de setembro: Trump rejeita publicamente a proposta na Casa Branca.

Posições oficiais e declarações
As declarações públicas revelam posições distantes entre os dois governos. Trump afirmou que "eles querem fazer um acordo e acho que está tudo bem; eu também gosto de fazer acordos", mas manteve a recusa baseada na avaliação de que o Irã está enfraquecido. Segundo o jornal Wall Street Journal, que citou autoridades americanas não identificadas, Trump disse em particular à sua equipe que considera provável uma nova campanha de bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos. O veículo informou ainda que o presidente estava cético quanto à possibilidade de o Irã atender às exigências americanas.
Do lado iraniano, Abbas Araghchi afirmou que as ações que os Estados Unidos devem tomar não são novas e já estavam todas no memorando de entendimento. Ele disse que, se os EUA estiverem realmente empenhados, tudo já está preparado para a reabertura do estreito. Contudo, Araghchi também advertiu que o Irã não aceita coerção, ameaças ou intimidação, referindo-se a declarações anteriores de Trump na ONU onde questionou se deveria aniquilar a República Islâmica.
Entenda o contexto e os termos
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima vital localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam pelo local. O fechamento ou a restrição dessa via causa grandes oscilações nos preços da energia global. O memorando de entendimento mencionado nas fontes era um acordo provisório que buscava encerrar operações militares em todas as frentes e aliviar sanções econômicas em troca de garantias nucleares e de navegação segura por parte do Irã.
Além do confronto direto, o conflito envolve atores regionais como os houthis, um grupo armado do Iêmen alinhado ao Irã. Eles têm realizado ataques no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab, outro ponto de estrangulamento importante para a navegação global. Recentemente, o grupo tomou posse de trechos estrategicamente importantes da costa do Mar Vermelho, incluindo o porto de Mokha. A coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen relatou interceptação de mísseis e drones lançados pelos houthis em direção ao território saudita.

Impactos econômicos e estratégicos
A manutenção do bloqueio econômico americano contra o Irã visa pressionar Teerã a suspender seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, o que reduziu drasticamente o tráfego de navios pela região. Dados de transporte marítimo citados pela Reuters, provenientes da empresa Kpler, mostram uma média recente de cerca de 18 trânsitos por dia, com números diários chegando a cair para apenas nove embarcações em certos dias. Essa redução afeta diretamente a economia iraniana, que depende dos recursos obtidos através do estreito, conforme apontado por Trump.
A instabilidade também gera pressão política interna nos Estados Unidos, especialmente com a aproximação das eleições para o Congresso em novembro. Trump mencionou em discurso na Assembleia Geral da ONU que acredita que um acordo com o Irã poderia ser fechado logo após o pleito. Enquanto isso, a imprensa americana noticiou que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, solicitou apoio militar a Trump devido aos ataques contra instalações petrolíferas e navios na região do Mar Vermelho e do Golfo.
Próximos passos e cenários
Segundo as informações publicadas pelo Wall Street Journal, a expectativa da equipe americana é de que haja uma possível retomada da campanha de bombardeios contra o Irã depois das eleições legislativas de novembro. Trump indicou publicamente que a decisão final oscila entre chegar a um acordo que permita ao Irã reconstruir seu país ou tomar medidas drásticas contra a República Islâmica. Até o momento, os Estados Unidos informaram ao Irã e aos mediadores que não pretendem suspender o bloqueio marítimo imposto aos portos iranianos.
Por outro lado, o governo iraniano mantém a postura de que o cumprimento do memorando de entendimento é pré-requisito para qualquer avanço. Com a rejeição formal da proposta de cessar-fogo de sete dias, as hostilidades na região permanecem ativas. A situação no Mar Vermelho continua tensa, com relatos de novos disparos e interceptações envolvendo a coalizão saudita e os houthis, ampliando o escopo do conflito para além do Golfo Pérsico.

Perguntas rápidas
O que propôs o Irã para acabar com o conflito?
O Irã propôs um cessar-fogo de sete dias e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, condicionado ao cumprimento de um memorando de entendimento assinado em junho e à suspensão do bloqueio naval americano.
Qual foi a resposta de Donald Trump?
Trump rejeitou a proposta publicamente, afirmando que os Estados Unidos estão vencendo e que o Irã busca o acordo por dificuldades financeiras, mantendo o controle da via navegável.
Por que o Estreito de Ormuz é importante?
Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo passavam pelo estreito, tornando seu fechamento um fator de grande oscilação nos preços globais de energia.
Fontes consultadas
Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.
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