Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Ibovespa 205.091 ▲ +10,06%Dólar R$ 4,99 ▼ -3,60%Euro R$ 5,59 ▼ -4,75%S&P 500 7.799 ▲ +1,92%Nasdaq 27.485 ▲ +2,32%Bitcoin R$ 417.169 ▼ -2,10%Ethereum R$ 12.841 ▼ -4,36%
WebWorks Notícias

Executivos comparam regulação cripto de Brasil, EUA e Europa

Executivos e autoridades debateram no Digital Assets Conference os modelos regulatórios de criptoativos do Brasil, Estados Unidos e União Europeia. O encontro destacou os desafios entre criar segurança jurídica e evitar o excesso de rigor que prejudique a inovação no setor.

Por Redação WebWorks Notícias · · atualizado em 4 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Professionals engaged in a business meeting in Kaduna, Nigeria discussing investment opportunities.
Foto: mk_photoz / Pexels

Representantes do mercado de criptomoedas e autoridades governamentais se reuniram no Digital Assets Conference (DAC) para debater e comparar os modelos regulatórios de ativos digitais adotados no Brasil, na União Europeia e nos Estados Unidos. O encontro abordou como cada jurisdição busca estabelecer segurança jurídica para o setor, ponderando os impactos operacionais e as falhas percebidas em cada estrutura desde o início de 2026. A discussão evidenciou que as abordagens divergentes começam a gerar consequências diretas para empresas, investidores institucionais e para a velocidade de desenvolvimento tecnológico em escala global.

Resumo rápido

  • O Brasil implementou as Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, estabelecendo exigências de governança e transparência para prestadoras de serviços.
  • A União Europeia aplica o MiCA para uniformizar regras, mas enfrenta críticas devido ao rigor semelhante ao de bancos tradicionais e à queda no número de empresas.
  • Os Estados Unidos mantêm um sistema fragmentado entre agências federais e estaduais, avançando com marcos pontuais como o GENIUS Act.
  • Especialistas apontam o desafio comum de equilibrar supervisão rigorosa e flexibilidade para a evolução tecnológica nos três mercados.
Three men engaged in a panel discussion at a professional conference.
Imagem ilustrativa: Reza Tavakoli / Pexels

O que aconteceu no Digital Assets Conference

O painel realizado durante o Digital Assets Conference (DAC) reuniu executivos e representantes oficiais para discutir os caminhos regulatórios de diferentes regiões do planeta. Durante o evento, Nagel Paulino, representante do Banco Central do Brasil, defendeu que a inclusão das empresas no perímetro regulatório visa facilitar a aproximação com instituições financeiras tradicionais e investidores estrangeiros. Segundo Paulino, determinados participantes institucionais evitam negociar com companhias desprovidas de supervisão clara de um regulador específico.

No mesmo painel, Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin na Europa, ponderou que o relacionamento contínuo e o diálogo com o regulador diferenciam o ambiente brasileiro do europeu. Já nos Estados Unidos, Jason Holloway, diretor de políticas para fintechs do Escritório de Regulação Financeira da Flórida, apontou que o ecossistema nacional permanece fragmentado entre autoridades federais e estaduais. As discussões detalharam as dificuldades práticas enfrentadas por companhias ao buscarem conformidade em meio a legislações em constante transformação nas três praças.

Como chegamos até aqui

A evolução regulatória em cada uma das três regiões seguiu cronogramas e motivações distintas ao longo dos últimos anos. Na Europa, o processo avançou com a implementação de um conjunto unificado de regras aplicadas aos países membros a partir de 2024. No Brasil, o marco inicial ganhou força com as novas resoluções do Banco Central que entraram em vigor em fevereiro de 2026. Nos Estados Unidos, o cenário foi historicamente marcado por ações de enforcement da SEC e por impasses legislativos recorrentes no Congresso.

A seamless pattern of various cryptocurrency coins in gold and silver tones.
Imagem ilustrativa: DS stories / Pexels

Quem são os envolvidos no debate

O painel contou com a participação de figuras centrais da regulamentação e do setor privado de criptoativos. Nagel Paulino representou o Banco Central do Brasil, expondo a visão da autarquia sobre a integração gradual das empresas ao sistema financeiro regulado. Reinaldo Rabelo, atuando como CEO do Mercado Bitcoin na Europa, levou para a discussão a perspectiva prática das exigências enfrentadas por empresas no continente europeu. Por fim, Jason Holloway, diretor de políticas para fintechs do Escritório de Regulação Financeira da Flórida, detalhou o panorama regulatório dos Estados Unidos.

Além dos palestrantes, instituições governamentais e agências reguladoras como a SEC, a CFTC, a Comissão Europeia e o próprio Banco Central exercem papel fundamental na condução das políticas debatidas. As decisões tomadas por esses órgãos afetam diretamente milhares de empresas prestadoras de serviços de ativos virtuais, exchanges e emissores de stablecoins em âmbito global.

O que dizem as partes e fontes

As autoridades e os executivos presentes no evento apontaram vantagens e deficiências nos modelos vigentes em cada país. Nagel Paulino argumentou que a regulação brasileira foi desenhada para focar em atividades e riscos, preservando a flexibilidade para acompanhar a evolução tecnológica sem engessar modelos de negócios futuros. Reinaldo Rabelo, por sua vez, criticou o modelo europeu do MiCA ao argumentar que a legislação tenta enquadrar negócios de ativos digitais em estruturas criadas originalmente para bancos tradicionais. Segundo Rabelo, o peso das exigências reduziu expressivamente o número de empresas operando formalmente no bloco europeu.

Nos Estados Unidos, Jason Holloway destacou que, apesar da aprovação de normas específicas como o GENIUS Act para stablecoins, a falta de uma lei federal ampla aprovada pelo Congresso mantém o setor dependente de diretrizes de agências reguladoras. Paul Atkins, presidente da SEC, ressaltou anteriormente que uma legislação aprovada pelo Legislativo continua sendo necessária para garantir maior permanência às normas vigentes e reduzir riscos futuros.

Vibrant stock market display showing exchange rates for USD, EUR, and GBP. Perfect for finance themes.
Imagem ilustrativa: Atlantic Ambience / Pexels

Entenda os conceitos e siglas citados

O mercado de criptomoedas e o ambiente regulatório utilizam termos específicos que muitas vezes dificultam a compreensão do público leigo. A SEC (Securities and Exchange Commission) é a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, equivalente à CVM brasileira, enquanto a CFTC regula o mercado de derivativos norte-americano. O MiCA (Markets in Crypto-Assets) é o marco regulatório abrangente adotado pela União Europeia para padronizar as regras de criptoativos nos países membros.

Outro conceito frequente é o staking, processo pelo qual investidores bloqueiam criptoativos em uma rede blockchain para ajudar a validar transações e garantir a segurança, recebendo recompensas em troca. Stablecoins, por sua vez, são ativos digitais atrelados ao valor de moedas fiduciárias tradicionais, como o dólar, buscando mitigar a volatilidade comum desse mercado.

Impactos e por que o tema importa

As diferenças regulatórias afetam diretamente a competitividade das empresas e a segurança dos investidores em nível internacional. No Brasil, o enquadramento regulatório do Banco Central busca aproximar o setor de instituições financeiras tradicionais, embora traga custos operacionais que já provocaram o encerramento ou mudanças de estratégia de algumas companhias durante a transição. Na Europa, a padronização oferecida pelo MiCA facilitou a atuação transfronteiriça, mas gerou debates sobre barreiras burocráticas excessivas.

Nos Estados Unidos, a fragmentação legislativa e a atuação por meio de agências criam um cenário de incerteza jurídica para novos projetos. A busca por um equilíbrio entre proteção ao consumidor e incentivo à inovação continua sendo o principal desafio compartilhado pelas três jurisdições analisadas no evento.

A woman trading cryptocurrency with charts on a smartphone and laptop, showcasing digital finance technology.
Imagem ilustrativa: TabTrader.com app / Pexels

O que vem a seguir

Os desdobramentos regulatórios continuam em andamento em todas as regiões analisadas pelos executivos. No Brasil, o Banco Central planeja avançar sobre atividades adicionais, como o staking, após a consolidação da primeira fase de autorizações. Na União Europeia, a Comissão Europeia conduz uma consulta pública de revisão do MiCA com prazo estendido até 30 de setembro para avaliar possíveis ajustes nas exigências aplicadas às empresas do setor.

Nos Estados Unidos, as negociações no Congresso e a aplicação de diretrizes conjuntas por SEC e CFTC devem moldar o futuro regulatório do mercado norte-americano. Enquanto isso, o mercado global permanece atento às adaptações necessárias para operar em conformidade com as novas regras.

Aviso importante sobre investimentos

Este artigo tem caráter estritamente jornalístico e informativo, baseando-se em fatos apresentados em fontes oficiais e debates públicos. O mercado de criptoativos é caracterizado por alta volatilidade e riscos financeiros consideráveis. O conteúdo acima não constitui, sob nenhuma hipótese, recomendação de investimento, indicação de compra ou promessa de lucro.

Assuntos: criptomoedasregulacaobanco centralmercado bitcoineconomia

Perguntas rápidas

O que foi o Digital Assets Conference?

Foi um evento que reuniu representantes do mercado e autoridades, como o Banco Central, para discutir e comparar os modelos regulatórios de criptomoedas no Brasil, nos EUA e na Europa.

Quais são as principais críticas ao modelo europeu do MiCA?

Executivos apontam que a legislação tenta enquadrar negócios de ativos digitais em estruturas criadas para bancos tradicionais, gerando um rigor excessivo que reduziu o número de empresas ativas no bloco.

Como o Banco Central atua na regulação brasileira?

O Banco Central implementou resoluções para criar um regime de autorização e funcionamento para prestadoras de serviços de ativos virtuais, focando em governança, transparência e prevenção à lavagem de dinheiro.

Fontes consultadas

Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.

Compartilhar: WhatsApp X Facebook

Leia também

Bitcoin e Cripto

BC nega 1º pedido de licença a empresa de criptoativos

O Banco Central negou pela primeira vez a autorização para operar como Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais à Higherway Tech Soluções. A decisão, publicada em 28 de agosto de 2026, afeta uma empresa de pagamentos globais e levanta questões sobre o futuro do setor de criptoativos no país.

· 6 min de leitura

Bitcoin e Cripto

BC aperta regras cripto e aviso Coaf acima US$ 10 mil

O Banco Central anunciou que transferências de criptoativos de US$ 10 mil ou mais para ou a partir de carteiras autocustodiadas deverão ser comunicadas ao Coaf. A mesma obrigação vale para operações de câmbio em espécie acima desse valor. As regras entram em vigor em outubro de 2026 e as PSAVs em operação devem pedir autorização

· 5 min de leitura