Magalu (MGLU3) dispara 32% em setembro: o que explica a alta e o que vem pela frente?
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) subiram 32,47% em setembro, impulsionadas por um acordo com o Mercado Livre e a queda da Selic, embora a empresa ainda acumule perdas no ano.

As ações do Magazine Luiza (MGLU3) registraram a maior alta do índice Ibovespa no mês de setembro, com uma valorização de 32,47%. O movimento ocorre em um momento em que a companhia, apesar do rali mensal, ainda apresenta uma queda acumulada de aproximadamente 30% no ano. A recuperação dos papéis é atribuída a uma combinação de novos acordos comerciais e mudanças no cenário macroeconômico, embora analistas de mercado alertem que o movimento pode ser técnico e não necessariamente represente uma virada estrutural nos fundamentos da empresa.
Resumo rápido
- Valorização de 32,47% nas ações MGLU3 em setembro, liderando o Ibovespa.
- Parceria com o Mercado Livre para ampliar a distribuição de produtos próprios.
- Impacto positivo da redução da taxa Selic para 13,75%.
- Prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre.
- Ações ainda acumulam queda de cerca de 30% no ano.

O que aconteceu com as ações do Magalu (MGLU3)
O principal gatilho para a valorização das ações no início de setembro foi o anúncio de um acordo comercial para expandir a distribuição de produtos próprios do Magazine Luiza dentro do ecossistema do Mercado Livre. Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset, a parceria é relevante porque permite aumentar o potencial de vendas digitais sem a necessidade de investir a mesma quantia na aquisição de clientes que seria exigida nos canais próprios da varejista.
A medida visa mitigar a perda de tração no canal digital, observada no segundo trimestre, período em que as vendas online recuaram cerca de 12%. Em contrapartida, as lojas físicas da companhia apresentaram crescimento de 10,3% no mesmo intervalo. Para Assis, a integração com a plataforma do Mercado Livre possibilita maior alcance e visibilidade sem pressionar excessivamente os custos operacionais.
Somado ao fator operacional, a empresa foi beneficiada pela trajetória dos juros. A redução da taxa Selic para 13,75%, após o quinto corte consecutivo do Banco Central, trouxe novamente o setor de consumo e crédito para o radar dos investidores. Como o Magazine Luiza comercializa bens duráveis financiados, a expectativa de juros menores tende a melhorar a demanda e reduzir o custo financeiro da operação.
Como chegamos até aqui
A companhia enfrentou um período de forte penalização em seus papéis, que chegaram a negociar próximos a mínimas históricas recentes após uma sequência de resultados fracos. No segundo trimestre, o Magazine Luiza registrou um prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, além de uma retração de 5,1% nas vendas totais e queda de 2,6% na receita líquida.
Apesar dos prejuízos, a empresa conseguiu manter a margem Ebitda ajustada em torno de 8%. Esse dado é interpretado pelo mercado como um sinal de maior disciplina na gestão de custos internos, mesmo diante de um cenário de retração nas vendas digitais e desaceleração da atividade econômica.
- 2º Trimestre: Prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões e queda de 2,6% na receita líquida.
- Início de Setembro: Acordo comercial com o Mercado Livre para distribuição de produtos próprios.
- Setembro: Quinta queda consecutiva da Selic, atingindo 13,75%.

Quem são os envolvidos
A operação envolve a gestão do Magazine Luiza e a plataforma do Mercado Livre, através da nova parceria de distribuição. No campo da análise financeira, o movimento é acompanhado por especialistas como Gustavo Assis, CEO da Asset, e Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, que monitoram a sustentabilidade da alta.
Os investidores do ativo MGLU3 também são peças centrais, dividindo-se entre aqueles que veem valor nos múltiplos atuais após a forte queda acumulada e perfis mais conservadores que aguardam a confirmação de números operacionais mais robustos antes de aumentar a exposição.
O que dizem as partes e analistas
Gabriel Uarian, da Cultura Capital, afirma que a alta recente representa mais uma recuperação técnica de um ativo excessivamente penalizado do que uma mudança estrutural na percepção dos investidores. Segundo o analista, embora a força da marca e o modelo omnichannel sejam reconhecidos, o mercado ainda espera sinais mais consistentes de recuperação do comércio eletrônico.
Gustavo Assis ressalta que a redução da Selic melhora simultaneamente o consumo, o crédito e o custo de capital da empresa. No entanto, ele pondera que existe uma diferença importante entre a recuperação de preço e a recuperação operacional, sendo necessário que os próximos resultados confirmem o crescimento sem sacrificar as margens.
Uarian complementa que a ação do Magazine Luiza continua sendo um ativo de elevado risco e volatilidade. Para ele, quem possui horizonte de longo prazo e tolerância a oscilações pode enxergar valor relativo nos múltiplos, mas a companhia precisa entregar números mais robustos para converter o movimento técnico em valorização sustentável.

Entenda os termos do mercado
O Ibovespa é o principal índice da Bolsa de Valores brasileira, composto pelas ações mais negociadas, servindo como termômetro do mercado. A Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central; sua redução geralmente estimula o consumo de bens duráveis, que são produtos de maior valor e vida útil longa, normalmente adquiridos via financiamento.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) é um indicador que mede a geração de caixa operacional de uma empresa. O modelo omnichannel é a estratégia de integrar canais de venda físicos e digitais para oferecer uma experiência unificada ao consumidor.
Impactos e por que a alta importa
A valorização de setembro indica que o pessimismo extremo em relação aos papéis da companhia cedeu espaço. A manutenção da margem Ebitda ajustada em 8% sugere que a empresa mantém controle sobre seus custos, o que, somado à queda da Selic, torna a tese de investimento em varejo novamente atrativa para parte do mercado.
Contudo, a sustentabilidade desse movimento depende de fatores externos e internos. O crédito continua caro e a atividade econômica apresenta desaceleração, o que limita os efeitos imediatos da queda dos juros nos resultados financeiros da empresa.

O que vem a seguir
Os próximos trimestres serão decisivos para testar a reprecificação das ações. O mercado monitorará quatro indicadores: a retomada do crescimento das vendas online, a manutenção ou expansão das margens, a redução gradual do endividamento e a melhora nos resultados da Luizacred.
Eventos como a Black Friday e as vendas de fim de ano funcionarão como termômetros de desempenho. Segundo Uarian, sinais de recuperação no e-commerce ou alívio nas despesas financeiras podem reforçar a valorização, enquanto a continuidade da queda nas vendas digitais ou piora na inadimplência podem interromper o rali.
*Aviso: Este texto tem caráter meramente informativo e não constitui recomendação de investimento.*
Perguntas rápidas
Por que as ações do Magalu subiram em setembro?
A alta foi impulsionada por um acordo comercial com o Mercado Livre para ampliar a distribuição de produtos próprios e pela redução da taxa Selic para 13,75%.
A empresa já recuperou as perdas do ano?
Não. Apesar da alta de 32,47% em setembro, as ações do Magazine Luiza ainda acumulam uma queda de cerca de 30% no ano.
Quais são os riscos para o investidor?
Analistas apontam que a ação continua sendo um ativo de elevado risco e volatilidade, dependendo de confirmações operacionais e da melhora do cenário de crédito.
Fontes consultadas
Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.
Compartilhar: WhatsApp X Facebook
Leia também
Carros 100% a etanol: avanço ou retrocesso? Debate divide setor
Especialistas discutiram na 9ª Conferência Nova Cana se a volta de carros movidos exclusivamente a etanol representa um progresso ou um retrocesso tecnológico, ponderando fatores econômicos e a liberdade de escolha do consumidor.
Gigantes americanas estão pagando até 7% em dólar; veja como investir
Títulos de dívida de grandes empresas americanas apresentam rendimentos elevados, acompanhando a alta dos juros do Tesouro dos EUA. Especialistas apontam oportunidades de diversificação em moeda forte com foco em crédito de alta qualidade.
Comprou Tesouro IPCA+ acima de 8%? Simulação mostra se vale a pena vender agora
Uma simulação da Hike Capital avalia a rentabilidade de quem investiu no Tesouro IPCA+ 2032 no pico de junho. O estudo analisa o impacto da marcação a mercado e do Imposto de Renda na decisão de venda antecipada.


