Mercado mira tokenização para melhorar liquidez do crédito privado
O setor de crédito privado brasileiro aposta na tokenização para solucionar problemas históricos de liquidez e custos operacionais. Segundo o Brazil Tokenization Report, o volume de ativos tokenizados no país saltou de R$ 1 bilhão para mais de R$ 10 bilhões em um ano.

O setor financeiro brasileiro está concentrando seus esforços na tokenização para tentar resolver gargalos históricos de liquidez, transparência e custos no crédito privado. De acordo com o Brazil Tokenization Report, elaborado pela Nexa Finance, essa tecnologia é vista como a principal ferramenta para tornar mais eficientes as operações de um segmento que, tradicionalmente, apresenta alta complexidade e baixa facilidade de revenda. O movimento ganha relevância diante de um crescimento expressivo no volume de ativos digitais no país, embora a penetração no saldo total de crédito corporativo ainda seja incipiente.
Resumo rápido
- O volume tokenizado no Brasil subiu de R$ 1 bilhão para mais de R$ 10 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto.
- Crédito privado e recebíveis representam 88% do montante tokenizado no país.
- A dificuldade de venda é a principal barreira para 70% dos investidores do segmento, segundo a Coalition Greenwich.
- A economia real é apontada por 41% dos entrevistados como o setor que mais deve gerar volume de tokenização.
- A Resolução CVM 88 atualmente limita a revenda de tokens à plataforma de emissão e impõe teto de R$ 15 milhões por oferta.

O que aconteceu no mercado de tokenização
O cenário de ativos digitais no Brasil apresentou uma expansão acelerada, com o valor tokenizado saltando de pouco mais de R$ 1 bilhão para superar a marca de R$ 10 bilhões no período de um ano terminado em agosto. Esse crescimento acompanha uma tendência global, onde o mercado praticamente dobrou no mesmo intervalo. No contexto nacional, o crédito privado e os recebíveis dominam a cena, respondendo por 88% desse volume total.
Apesar do salto numérico, a escala ainda é pequena em relação ao mercado total. O montante tokenizado representa apenas 0,3% do saldo de R$ 2,75 trilhões em crédito corporativo existente no país. A pesquisa da Nexa Finance, que consultou bancos, gestoras, family offices e plataformas de tecnologia, revelou que 48% dos participantes veem o crédito privado como a principal aposta, superando significativamente os títulos públicos e do Tesouro, citados por 20% dos respondentes.
Quanto à origem desses ativos, a economia real — composta por empresas em geral — lidera as expectativas de 41% dos entrevistados. Os setores de infraestrutura e agronegócio aparecem na sequência, com 10% de indicações cada. O estudo sugere que a tokenização é a solução ideal para o crédito privado porque suas vantagens tecnológicas combatem diretamente as fragilidades do ativo, especialmente no que tange a custos e transparência.
Como chegamos até aqui e a evolução do setor
A transição para modelos tokenizados busca mitigar barreiras que afastam o investidor comum do crédito estruturado. Segundo Eduardo Furuie, cofundador e CIO da Nexa, a tecnologia simplifica processos de custódia, liquidação e negociação no mercado secundário. A liquidação imediata e a atualização auditável da posição do investidor tendem a diminuir a diferença entre o preço justo do ativo e o valor obtido na execução final.
O interesse cresce especialmente no crédito estruturado pulverizado, que envolve grandes volumes de contratos e pagamentos distintos. Furuie argumenta que a gestão dessas carteiras via custódia tradicional é opaca e dispendiosa. A automação e a integração de registros via blockchain reduzem riscos operacionais e aumentam a visibilidade para quem investe.
- Agosto (ano anterior) a Agosto (atual): Volume tokenizado no Brasil sobe de R$ 1 bilhão para mais de R$ 10 bilhões.
- Janeiro: Encerramento da consulta pública para a revisão da Resolução CVM 88.

Quem são os envolvidos e as perspectivas
O ecossistema de tokenização envolve diversos agentes, desde as plataformas de tecnologia que estruturam os produtos, como a Nexa, até as instituições financeiras, gestoras de fundos e family offices. Estes últimos, que distribuem os produtos ao cliente final, manifestaram algumas preocupações. Parte dos family offices entrevistados relatou que o mercado piorou no último ano devido à baixa liquidez no mercado secundário e à ambiguidade nas normas regulatórias.
Eduardo Furuie enfatiza que a tecnologia não altera a capacidade de pagamento do devedor nem a probabilidade de recebimento do crédito. Para ele, a formalização, o lastro e a cobrança continuam sendo os pilares centrais. A nova camada operacional introduzida pela tokenização exige, portanto, que o investidor foque na reputação da instituição, no histórico da operação e na qualidade da equipe técnica, já que a auditoria de tecnologia pode ser impraticável.
Entenda os conceitos de tokenização e crédito privado
A tokenização é o processo de transformar um ativo real ou um direito financeiro em um 'token' digital registrado em uma blockchain. Isso permite que a propriedade de um ativo seja fracionada e transferida de forma digital, rápida e segura, sem a necessidade de intermediários tradicionais para cada etapa de liquidação.
O crédito privado ocorre quando empresas captam recursos diretamente com investidores, emitindo títulos de dívida em vez de tomar empréstimos bancários tradicionais. O crédito estruturado, citado no relatório, envolve a criação de instrumentos financeiros complexos, muitas vezes baseados em carteiras de recebíveis, para gerir riscos e fluxos de caixa.

Impactos regulatórios e a CVM
Atualmente, a promessa de maior liquidez enfrenta obstáculos normativos. Muitas emissões no Brasil utilizam a Resolução CVM 88, voltada ao crowdfunding. Sob essa regra, os tokens só podem ser revendidos dentro da plataforma que os emitiu e o valor total das ofertas é limitado a R$ 15 milhões, o que restringe a movimentação no mercado secundário.
Para mudar esse cenário, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sinalizou a intenção de flexibilizar as exigências para tokens de crédito. As medidas previstas incluem a dispensa de nota de rating, agente fiduciário e auditoria, além de a implementação de normas que facilitem a negociação dos ativos entre investidores fora da plataforma original.
O que vem a seguir para o mercado
O futuro do setor depende agora da concretização das mudanças regulatórias sinalizadas pela CVM após a consulta pública encerrada em janeiro. A expectativa é que a flexibilização das normas e o reconhecimento expresso do uso de blockchain permitam que o crédito privado tokenizado ganhe escala e atraia mais investidores.
Embora a busca atual por captação via recebíveis impulsione a adoção da tecnologia, a visão de especialistas como Eduardo Furuie é de que o movimento é estrutural. Isso significa que a tokenização não é apenas uma resposta a um momento conjuntural, mas uma mudança na forma como a infraestrutura do mercado financeiro opera para reduzir custos e aumentar a eficiência.
Este texto tem caráter meramente informativo e não constitui recomendação de investimento.

Perguntas rápidas
O que é a tokenização do crédito privado?
É a transformação de títulos de dívida corporativa em tokens digitais via blockchain, visando reduzir custos operacionais e aumentar a liquidez e a transparência dos ativos.
Qual o volume atual de ativos tokenizados no Brasil?
Segundo o Brazil Tokenization Report, o valor passou de R$ 1 bilhão para mais de R$ 10 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto.
Quais são as principais barreiras para o investidor?
A dificuldade de venda é a principal barreira para 70% dos investidores, além de limitações regulatórias da CVM 88 que restringem a revenda de tokens.
Fontes consultadas
Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.
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