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Vale tem queda de 53% no lucro líquido do 3º tri; Ebitda recua 24%

A Vale reportou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no 3º tri de 2026, queda de 53% em um ano, e Ebitda ajustado de US$ 3,327 bilhões, recuo de 24%. A receita subiu 2%, enquanto cobre e níquel apontaram para a metade superior das faixas de produção.

Por Redação WebWorks Notícias · · atualizado em 1 de novembro de 2026 · 8 min de leitura

A large bucket wheel excavator operates in a vast industrial mining area, illustrating heavy machinery in action.
Foto: Karl Gerber / Pexels

A Vale registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, recuo de 53% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (29), após o fechamento do mercado, e ficou abaixo da projeção de US$ 1,38 bilhão do consenso LSEG. O Ebitda ajustado também diminuiu: somou US$ 3,327 bilhões entre julho e setembro, queda de 24% em um ano. A receita líquida de vendas, em sentido contrário, avançou 2%, para US$ 10,599 bilhões. O desempenho misto combinou pressão sobre o minério de ferro, principal negócio da mineradora, e avanço da divisão de metais básicos, puxada pelo cobre.

Resumo rápido

  • Lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,255 bilhão no 3º tri de 2026, queda de 53% em um ano e de 9% no trimestre.
  • Ebitda ajustado de US$ 3,327 bilhões, recuo de 24% anual; em base proforma, a queda foi de 20%, para US$ 3,5 bilhões.
  • Receita líquida de vendas de US$ 10,599 bilhões, alta de 2% na comparação anual.
  • Ebitda de Soluções de Minério de Ferro caiu 34%, para US$ 2,63 bilhões, e Vale Base Metals avançou 61%, para US$ 1,1 bilhão.
  • Produção de minério de ferro recuou 6%, para 88,4 milhões de toneladas, enquanto as vendas subiram 0,3%.
  • A companhia reafirmou todos os guidances de produção para 2026, com cobre e níquel na metade superior das faixas.
A cargo ship named Egebulk docked at a port, with cranes and containers visible.
Imagem ilustrativa: Nothing Ahead / Pexels

O que aconteceu no terceiro trimestre

O lucro líquido atribuível aos acionistas totalizou US$ 1,255 bilhão no período de julho a setembro de 2026, queda de 53% frente aos US$ 2,68 bilhões do terceiro trimestre de 2025. Na comparação com o trimestre anterior, a retração foi de 9%. O Ebitda ajustado alcançou US$ 3,327 bilhões, 24% abaixo do registrado um ano antes. Na modalidade proforma, que retira os efeitos de Brumadinho e da descaracterização de barragens para representar melhor a operação corrente, o indicador foi de US$ 3,5 bilhões, com queda de 20%.

A receita líquida de vendas chegou a US$ 10,599 bilhões, alta de 2% na comparação anual. A Vale relacionou a redução do Ebitda à queda dos preços realizados dos finos de minério de ferro e à pressão de custos externos. O preço médio realizado do minério ficou 10% abaixo do trimestre anterior, a US$ 85,1 por tonelada. As vendas de minério de ferro aumentaram 0,3%, para 86,3 milhões de toneladas, enquanto a produção recuou 6%, para 88,4 milhões de toneladas.

Os números por divisão mostraram caminhos distintos. Soluções de Minério de Ferro, a principal área da companhia, teve Ebitda de US$ 2,63 bilhões, queda de 34% na comparação anual. A Vale apontou como causas os menores preços realizados, a valorização do real frente ao dólar e o aumento dos custos de frete e produção. Em sentido oposto, Vale Base Metals elevou seu Ebitda em 61%, para US$ 1,1 bilhão, com o cobre como principal contributor.

Como chegamos até aqui: a comparação com 2025

O resultado atual se opõe ao desempenho reportado pela Vale no terceiro trimestre de 2025. Naquele período, o lucro líquido atribuível aos acionistas havia sido de US$ 2,68 bilhões, alta de 11% ante um ano antes e de 27% na comparação trimestral. Um ano depois, a companhia reportou lucro menor, o que explica a queda anual de 53% divulgada agora. A alteração de trajetória também aparece no Ebitda, que passou a recuar após o crescimento registrado no ano anterior.

Entre os fatores apontados pela empresa para o desempenho deste trimestre estão a realização de preços mais fracos no minério de ferro e o aumento de custos. O preço médio realizado foi de US$ 85,1 por tonelada, em um cenário de fretes elevados, segundo o JPMorgan. O banco apontou que a vantagem de custo da Vale em frete na rota Brasil–Ásia está no maior nível em anos, em meio à combinação de minério abaixo de US$ 100 por tonelada e fretes elevados.

  • 3º tri de 2025: lucro líquido de US$ 2,68 bilhões, alta de 11% anual e de 27% no trimestre.
  • 3º tri de 2026: lucro líquido de US$ 1,255 bilhão, queda de 53% anual e de 9% no trimestre.
  • 3º tri de 2026: Ebitda ajustado de US$ 3,327 bilhões, recuo de 24% em um ano.
  • 3º tri de 2026: preço médio realizado do minério de ferro de US$ 85,1 por tonelada, 10% abaixo do trimestre anterior.
  • 3º tri de 2026: dívida líquida expandida de US$ 16,4 bilhões, 2% abaixo do trimestre anterior.
  • 3º tri de 2026: todos os guidances de produção para 2026 reafirmados pela companhia.
A factory worker in blue overalls operates a shaking table for ore processing.
Imagem ilustrativa: Safi Erneste / Pexels

Quem são os envolvidos

A Vale é a mineradora responsável pelo balanço apresentado e é negociada no Brasil sob o código VALE3. O resultado reúne o desempenho consolidado de suas divisões, entre elas Soluções de Minério de Ferro e Vale Base Metals. Além da companhia, o contexto do trimestre inclui analistas citados nas reportagens sobre o balanço, como o Itaú BBA e o JPMorgan, e o consenso LSEG, usado como referência de projeção de lucro.

O Itaú BBA classificou o trimestre como neutro. Na análise, o segmento de minério de ferro continuou pressionado pela combinação de preços realizados mais fracos e maiores custos de frete, fatores que compensaram o desempenho melhor que o esperado das vendas e a melhora do custo caixa (C1). O banco também chamou a atenção para a produção ainda abaixo do ideal no Sistema Norte, enquanto destacou que a divisão de metais básicos teve desempenho ligeiramente superior às projeções, beneficiada principalmente pela força do cobre.

O que dizem as partes e as fontes

A Vale atribuiu a queda do Ebitda à redução dos preços realizados dos finos de minério de ferro e às pressões externas de custos. Para o segmento de Soluções de Minério de Ferro, a companhia apontou os menores preços realizados, a valorização do real frente ao dólar e o aumento dos custos de frete e produção. Nos custos, a empresa relacionou o impacto do câmbio e dos preços do petróleo, além do diesel, que pressionou o custo caixa C1.

Sobre Vale Base Metals, a companhia afirmou que o aumento do Ebitda foi sustentado por “resultados operacionais consistentes e maiores preços realizados em todas as commodities do portfólio”. O cobre teve Ebitda de US$ 1,021 bilhão, avanço de 66% na comparação anual, enquanto o níquel recuou 14%, para US$ 98 milhões. O Itaú BBA destacou que a divisão de metais básicos teve desempenho ligeiramente superior às projeções, impulsionada pela força do cobre, mas apontou a produção ainda abaixo do ideal no Sistema Norte.

Sobre a dívida, a Vale informou que, com a dívida líquida expandida acima de US$ 15 bilhões, há menos chance de oferecer dividendos extraordinários, com o objetivo de garantir disciplina de capital. O JPMorgan, por sua vez, avaliou que a vantagem de custo da Vale em frete na rota Brasil–Ásia está no maior nível em anos, em meio ao choque de fretes e à combinação de minério abaixo de US$ 100 por tonelada.

A cargo ship loaded with containers at Hamburg's bustling commercial dock.
Imagem ilustrativa: Wolfgang Weiser / Pexels

Entenda os indicadores apresentados

O lucro líquido corresponde ao resultado que sobra após descontar da receita todos os custos, despesas, juros e impostos. No caso da Vale, o número divulgado é o lucro atribuível aos acionistas, isto é, a parcela que corresponde aos donos das ações. O Ebitda, sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, é uma medida de desempenho operacional que desconsidera esses itens. A Vale também apresentou a versão “proforma”, que retira efeitos de eventos específicos para permitir uma leitura mais próxima da operação corrente.

O custo caixa C1 acompanha os custos diretos de produção do minério de ferro e ficou em US$ 23,1 por tonelada, alta de 12% na comparação anual. O custo all-in, que reúne todos os gastos desde a mina até o porto, chegou a US$ 60,4 por tonelada, com avanço de 21% no ano, por causa dos maiores custos de frete. O fluxo de caixa livre recorrente foi de US$ 1,4 bilhão, queda de US$ 0,2 bilhão na comparação anual, enquanto o fluxo de caixa livre total alcançou US$ 2,2 bilhões. A dívida líquida expandida ficou em US$ 16,4 bilhões, dentro da faixa de guidance que vai de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões.

Impactos e por que importa

O trimestre mostra um desenho de desempenho desigual dentro da Vale. A retração de 53% no lucro e de 24% no Ebitda ajustado veio acompanhada de alta de 2% na receita líquida, enquanto a principal divisão, Soluções de Minério de Ferro, registrou queda de 34% no Ebitda. Na direção contrária, Vale Base Metals avançou 61%, com o Ebitda do cobre subindo 66% na comparação anual.

A geração de caixa e a posição de dívida foram apontadas pelo Itaú BBA como indicators de solidez financeira, apesar do ambiente desafiador para o minério de ferro. O fluxo de caixa livre recorrente de US$ 1,37 bilhão e a redução de 2% na dívida líquida expandida no trimestre sustentam essa leitura, segundo o banco. Ao mesmo tempo, a dívida acima de US$ 15 bilhões reduz a perspectiva de dividendos extraordinários, conforme a política de capital da companhia.

Top view of a laptop, Bitcoin coins, and financial indicators symbolizing Bitcoin mining and investment.
Imagem ilustrativa: Leeloo The First / Pexels

O que vem a seguir

A Vale reafirmou todos os guidances de produção para 2026. Para o minério de ferro, a projeção foi mantida entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas. Para cobre e níquel, a companhia apontou a metade superior das faixas previstas para o ano. A produção de níquel subiu 6%, para 49,7 mil toneladas, maior nível registrado para um terceiro trimestre em Onça Puma, enquanto a produção de cobre recuou 6%, para 85,5 mil toneladas, afetada pela reforma programada em Sossego.

No curto prazo, os pontos de acompanhamento são a evolução dos fretes, do preço realizado do minério de ferro e da execução das reformas programadas. O Sistema Norte recuou 14%, pressionado por menor disponibilidade de minério em Serra Norte, enquanto Serra Sul (S11D) registrou recorde trimestral de produção, com 23,8 milhões de toneladas. As ADRs da Vale operavam em leve alta de 0,18% no aftermarket após a divulgação dos resultados, a US$ 11,20.

Assuntos: Valeresultados 3º trilucro líquidoEbitdaminério de ferro

Perguntas rápidas

O que aconteceu com o lucro da Vale no terceiro trimestre de 2026?

O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 1,255 bilhão, queda de 53% em um ano e de 9% no trimestre. O Ebitda ajustado recuou 24%, para US$ 3,327 bilhões, enquanto a receita líquida de vendas cresceu 2%.

Por que o Ebitda caiu?

Segundo a Vale, a queda do Ebitda se deve à redução dos preços realizados dos finos de minério de ferro e às pressões externas de custos. No segmento de Soluções de Minério de Ferro, a companhia também apontou a valorização do real e o aumento dos custos de frete e produção.

Qual foi o desempenho do cobre e do níquel?

O Ebitda do cobre avançou 66%, para US$ 1,021 bilhão, e o do níquel recuou 14%, para US$ 98 milhões. Com isso, Vale Base Metals elevou seu Ebitda em 61%, para US$ 1,1 bilhão.

Fontes consultadas

Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.

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