Petróleo Brent chega a US$ 111, maior nível em 5 meses, após ataques de houthis
O petróleo Brent renovou máxima de cinco meses ao superar US$ 111 o barril, impulsionado por ataques de houthis a alvos sauditas e a embarcações no Golfo. O WTI também subiu, acima de US$ 104. Analistas veem prêmio de risco geopolítico e incerteza sobre oferta do Oriente Médio.

O petróleo Brent atingiu o maior patamar em cinco meses nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, depois que rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram ataques contra infraestrutura energética e aeroportuária da Arábia Saudita e em meio a relatos de ofensivas contra embarcações no Golfo. Os contratos futuros da referência internacional chegaram a US$ 111,05 por barril durante a madrugada, segundo a InfoMoney, enquanto cotações da manhã indicavam US$ 111,73 às 6h45, horário de Brasília, alta de 1,7%. O movimento reflete a incorporação de um prêmio de risco geopolítico pelos investidores, em um cenário de tensão diplomática entre Irã e Estados Unidos.
Resumo rápido
- Brent superou US$ 111, maior nível desde maio; WTI acima de US$ 104, maior desde setembro.
- Houthis reivindicaram ataques a instalações da Aramco, campo de Shaybah e aeroportos na Arábia Saudita.
- Consultoria Kpler reportou ao menos 18 navios atacados no Golfo em duas semanas.
- Ataque a campo de treinamento em Shabwa, Iêmen, deixou 58 mortos e mais de 200 feridos.
- Analistas citam prêmio de risco geopolítico e ausência de canais diplomáticos Irã-EUA.
- Expectativa de queda nos estoques dos EUA também pressiona cotações.

O que aconteceu
Durante a madrugada e as primeiras horas da manhã de terça-feira, os contratos futuros do petróleo Brent renovaram máximas não vistas desde maio. Segundo a InfoMoney, o barril tocou US$ 111,05 no pico noturno e, às 9h30, operava a US$ 110,87, com alta de 1,10%. Dados de mercado da manhã mostravam o Brent a US$ 111,73 às 6h45, avanço de 1,7%. A referência americana West Texas Intermediate (WTI) acompanhou o movimento: a InfoMoney registrou US$ 105,64 às 9h30, alta de 1,91%, enquanto outras cotações apontaram máximo de US$ 104,94 e valor de US$ 104,80, valorização de 1,1%, o maior nível desde setembro.
A escalada foi desencadeada por declarações dos houthis, grupo iemenita alinhado ao Irã, que na segunda-feira afirmaram ter realizado diversos ataques contra alvos sauditas. Entre os objetivos declarados estão uma instalação da Aramco em Yanbu, o campo de petróleo de Shaybah, o Aeroporto Internacional King Khalid em Riad e o aeroporto de Abha. As autoridades da Arábia Saudita não confirmaram as alegações até o momento, e a Reuters informou não ter conseguido verificar os relatos de forma independente.
Como chegamos até aqui
A tensão no Golfo vem se acumulando nas últimas semanas. A consultoria de rastreamento marítimo Kpler divulgou nota na segunda-feira informando que pelo menos 18 embarcações teriam sido atacadas ao longo de duas semanas, o que mantém elevado o prêmio de risco nas cotações. Paralelamente, a violência no próprio Iêmen se intensificou: na segunda-feira, um ataque houthis a um campo de treinamento das forças de segurança do governo na província de Shabwa resultou em 58 mortes e mais de 200 feridos, segundo a Reuters.
- Últimas duas semanas: ao menos 18 embarcações atacadas no Golfo, segundo a Kpler.
- Segunda-feira (19/out): houthis reivindicam ataques a alvos energéticos, aeroportuários e militares na Arábia Saudita.
- Segunda-feira (19/out): ataque a campo de treinamento em Shabwa, Iêmen, com 58 mortos e mais de 200 feridos, segundo a Reuters.
- Terça-feira (20/out): Brent atinge maior nível em cinco meses, superando US$ 111; WTI no maior patamar desde setembro.

Quem são os envolvidos
Os principais atores do conflito são os houthis, movimento insurgente do Iêmen com alinhamento ao Irã, e a Arábia Saudita, cuja infraestrutura de petróleo e aviação civil foi apontada como alvo. A Aramco, companhia estatal saudita de petróleo, é citada nominalmente como uma das entidades visadas, por meio de sua unidade em Yanbu. No plano diplomático, a dinâmica entre Estados Unidos e Irã exerce influência direta sobre as expectativas de oferta: a ausência de canais oficiais de comunicação entre Washington e Teerã é apontada como fator que agrava a percepção de instabilidade regional.
No mercado financeiro, as referências de preço são o Brent, benchmark global extraído no Mar do Norte, e o WTI, benchmark da produção americana. Ambos são negociados via contratos futuros, cujos valores refletem as expectativas dos agentes sobre a disponibilidade da commodity nas próximas semanas. A consultoria Kpler atua no monitoramento do tráfego marítimo e forneceu a contagem de embarcações atingidas.
O que dizem as partes e analistas
Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, afirmou que a alta dos preços não decorre apenas dos ataques físicos, mas também da deterioração nas negociações diplomáticas. Segundo ele, a inexistência de novos canais oficiais de comunicação entre Teerã e Washington alimenta a percepção de que o mercado deve trabalhar com uma oferta menor vinda de países do Oriente Médio ao longo das próximas semanas.
Analistas do banco ING, em relatório divulgado nesta terça-feira, avaliaram que os preços do petróleo continuam bem sustentados porque o mercado está precificando um prêmio de risco significativo, dada a volatilidade da situação. O banco ressaltou, porém, que esse prêmio tende a se dissipar gradualmente caso os fluxos de petróleo continuem sem interrupções, mas destacou que ainda não há sinais de que isso esteja ocorrendo.

Entenda
O Brent é a principal referência internacional de preço do petróleo, baseada na produção do Mar do Norte, e serve para precificar a maior parte dos barris comercializados no mundo. O WTI (West Texas Intermediate) é a referência para o petróleo produzido nos Estados Unidos. Ambos são negociados em contratos futuros, instrumentos em que comprador e vendedor acordam hoje o preço e a data de entrega futura, o que faz com que as cotações atuais embutam expectativas sobre oferta e demanda adiante.
O termo 'prêmio de risco geopolítico' designa um acréscimo no preço de um ativo provocado pela antecipação de possíveis interrupções causadas por conflitos, guerras ou instabilidade política. No caso do petróleo, se há probabilidade de que a produção seja cortada ou rotas de transporte sejam bloqueadas, o preço sobe preventivamente para compensar essa incerteza.
Impactos e por que importa
A manutenção das cotações acima de US$ 100 por barril reforça os temores sobre a estabilidade regional e os riscos persistentes para o fornecimento global de energia, conforme relatado pelas fontes. Além da tensão no Golfo, o mercado monitora indicadores internos dos Estados Unidos: segundo pesquisa preliminar da Reuters divulgada na segunda-feira, analistas esperavam uma queda nos estoques de petróleo bruto e de derivados na semana passada, o que também pressionaria as cotações para cima.

O que vem a seguir
Os próximos passos do mercado dependerão da confirmação dos danos às instalações sauditas e da evolução dos confrontos no Iêmen. A tendência dos preços estará atrelada à continuidade dos fluxos de exportação do Golfo e a qualquer possível retomada de diálogos diplomáticos entre Irã e Estados Unidos. A divulgação dos dados oficiais de estoques americanos, prevista para os próximos dias, também deve orientar as negociações.
Este texto tem caráter meramente informativo e não constitui recomendação de investimento.
Perguntas rápidas
O que fez o petróleo subir para US$ 111?
Ataques reivindicados pelos houthis contra infraestrutura saudita e relatos de 18 navios atingidos no Golfo em duas semanas elevaram o prêmio de risco geopolítico, segundo analistas da StoneX e do ING.
Qual a diferença entre Brent e WTI?
Brent é a referência global, baseada no Mar do Norte; WTI é a referência americana. Ambos subiram: Brent acima de US$ 111 e WTI acima de US$ 104, maiores níveis em meses.
Houve confirmação dos ataques pela Arábia Saudita?
Não. As autoridades sauditas não confirmaram as alegações dos houthis, e a Reuters não conseguiu verificar os relatos de forma independente.
Fontes consultadas
Texto elaborado com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima. Encontrou um erro? Avise a redação.
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